Nota da tradutora: Trata-se de um artigo antigo do Dr. Paul Nogier (porque não dizer um artigo histórico? vindo dele...). Dr. Paul sempre escreve numa linguagem simples. Porém neste artigo, percebemos que os bloqueios a serem tratados antes de qualquer tratamento em Auriculoterapia já foram determinados por ele. Aqui ele fala da Primeira Costela, porém ele também cita as entradas dentárias.

Na edição número 3 desta revista, eu expus sucintamente o problema da primeira costela, assunto que me interessa há muitos anos. Isto me conduziu a formular algumas reflexões, nascidas de uma longa observação, e eu gostaria muito de dividí-las com vocês.

O que mais me intriga neste bloqueio é que ele passa desapercebido na maior parte das vezes.

O profissional, consultado por motivos diversos, frequentemente, por não achar que os sintomas tenham ligação com esta região, não pensa em fazer radiografias da cintura costo-clavicular. As radiografias das vertebras cervicais, frontal e lateral, elas mostram, como convém, danos menores: deslocamento vertebral leve, diminuição da curvatura ou indícios de artrose, sinais que se tornam os responsáveis pelo o que acontece com o paciente. Na realidade, nós confundimos causa e consequência, pois é muito difícil detectar por radiografia um bloqueio costal. Assim como também é muito comum o paciente, depois de uma queda,  não sentir nenhuma dor na região superior da coluna. Então é necessário que nós avaliemos o paciente para talvez encontrar um abaulamento unilateral ao nível dos ombros, abaulamento bem doloroso à pressão profunda.

Examinando pacientes de um ano e meio pra cá, pacientes novos na maioria, e portadores de mal crônico, que foram normalmente abandonados pelo seu médico, que não pode colocar o dedo sobre uma lesão, eu fiquei impressionado pelo número de bloqueio em primeira costela que encontrei. Pelo menos, um paciente em três, precisa de uma manipulação costal.

Cada sujeito, devido sua conformação anatômica, apresenta um caso particular. Lembremo-nos que os problemas associados são diversos. Eles aparecem quase sempre bruscamente. Um estado ansioso os acompanha na maioria das vezes, e assinala a natureza simpática (do SN) da afecção. As perturbações abdominais são frequentemente indicadas: flatulência, problemas no trânsito intestinal, constipação ou diarréia. Sem esquecer as nevralgias cervicais, dorsais ou cervico-braquiais, irritantes, mas bem menos impressionantes que a “falsa angina de peito, com dor nas costas ao menor esforço, as vezes, ao menor movimento e falta de ar.

Todos estes sintomas estão relacionados à irritação do gânglio estrelado que envia sua mensagem patológica à cadeia ganglionar paravertebral.

A manipulação é mais delicada que parece e a orientação da pressão manual sobre a costela varia segundo o caso. A importância desta pressão pode ser determinada com a ajuda do reflexo aurículo-cardíaco: sempre aferindo o pulso do paciente, apoiamos a mão, em diferentes direções, ao nível da primeira costela. A pressão que gera o reflexo mais forte dá a orientação do tratamento.

Após a manipulação ser feita - e bem feita – o que vamos observar? Um alívio imediato. Sim. Mas ele persistirá? Esta questão é importante.

É prudente prevenir o paciente que um bloqueio com 10 ou 20 anos, ou mais, pode se reproduzir muito facilmente na sequência de uma má posição, pois estas peças ósseas estavam mal colocadas durante muito tempo.

Quando carregar um peso grande, numa viagem de trem, por exemplo, onde a mala tem que ser colocada acima da cabeça, a primeira costela pode se deslocar. Uma má posição noturna pode igualmente intervir, pois, durante o sono, as compensações musculares, por vezes, falham.

Por último, assinalo as eventuais etiologias gerais, um “entrada”, por exemplo – a entrada dentária particularmente – susceptível de determinar, ou no mínimo de atrapalhar  - um bloqueio via-reflexo. De tal forma que, se uma entrada não é tratada e curada, o paciente estará sujeito  sempre à recidivas lamentáveis.

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