Introdução da Escola Raphael Nogier de Auriculoterapia Clínica

Este artigo nós recebemos da Maria Carolina Nolan, mãe da pequena Margo e responsável pela página no Facebook e Instagram sobre a Síndrome diagnostica na Margo, a Síndrome Coffin Siris: The Girl With Coffin Siris Syndrome (1). Maria Carolina, na época, nos relatou o interesse em fazer uma página de divulgação sobre as manifestações e rotinas de sua filha, para ajudar outras famílias que porventura tenham uma criança com esta síndrome, pois ela sentiu – e sente - muita dificuldade em conseguir informações principalmente na fase de descoberta. Nós ficamos muito honrados quando este artigo abaixo foi publicado na página do Facebook supracitada e resolvemos então compartilhar também em nossas mídias para contribuir com a divulgação do trabalho da Maria Carolina e também em demonstrar as incontáveis aplicabilidades do teste RAFT.

R.A.F.T.: O que é? (1)

Logo que chegamos ao Brasil levamos a Margo no Dr. Augusto Pisati, pediatra que atende em Alphaville, na Clínica Pisati (www.clinicapisati.com.br), um dos melhores de São Paulo, na minha opinião. Desde a Irlanda, país em que moro desde antes do nascimento da Margo, ele me salva pelo WhatsApp, e mesmo sem ver a Margo, e antes dos resultados dos exames de alergia, ele já tinha me dito que ela era alérgica à proteína do leite da vaca - algo que na Irlanda foi muito frustrante pra mim - pois os profissionais da saúde diziam que não, ela não tinha sintomas para confirmar uma alergia, e que o exame só poderia ser feito depois de ela completar um ano.

Quando chegamos ao Brasil ela tinha OITO MESES, e realizou dois tipos de teste para confirmar a alergia. Um exame de sangue, o RAST, e outro exame chamado RAFT (Radial Artery Food Test), neste artigo vou falar sobre minha experiencia com este teste.

Mesmo antes de ter a confirmação das alergias, o Dr. Augusto nos apresentou uma equipe, para trabalharmos em conjunto, e assim termos resultados mais rápidos, pois nosso tempo era limitado.Um pediatra, um osteopata e uma fisioterapeuta fazem parte da equipe de super heróis da Margo (quase Marvel, rs)

A primeira a entrar em ação foi a Dra. Larissa, uma simpatia de pessoa, muito inteligente, dedicada e com muito conteúdo e experiência! E por ela ser jovem torna-se ainda mais fascinante o tanto que ela sabe! Que mulher incrível! A Larissa é fisioterapeuta e trabalha com Terapia CranioSacral e também realizou o teste de intolerâncias, o RAFT, na Margo.

Hoje resolvi falar sobre o RAFT. Sigla para Radial Artery Food Test. Esse teste, baseado nos trabalhos dos franceses, Dr.Paul Nogier, e concluído por seu filho, Dr. Raphaël Nogier, não precisa de nenhum material sofisticado. "O teste consiste em pegar o pulso do paciente, e o pesquisador colocar sobre o tórax do paciente uma pequena câmara transparente chamada anel-teste, dentro da qual contém o alimento que deverá ser estudado. O dispositivo é feito de tal maneira que a luz possa passar através do alimento e se encarregar de uma informação espectral. Normalmente o pulso radial continua estável se o alimento é bem tolerado pelo organismo. Por outro lado, se existe uma hipersensibilidade, o pulso radial vai se deformar e tornar-se distante. Se compararmos a artéria radial à um pneu de bicicleta, parece que a artéria se esvazia e se torna fraca e menos inflada sempre que existir uma hipersensibilidade. Podemos com esta técnica apreciar o grau de hipersensibilidade e medir o tempo de perturbação do pulso após retirar o anel-teste. A técnica do RAFT é muito precisa e necessita uma aprendizagem clínica. Esta nova técnica abre as perspectivas apaixonantes para o tratamento de certas doenças crônicas pois basta, as vezes, retirar um ou dois alimentos em certos pacientes para ver desaparecer os sinais que perduravam há anos" (Informações retiradas do próprio livro do Raphael Nogier) (3).

A Larissa foi aluna direta do Dr. Raphael, e é a única autorizada a dar cursos chancelados por ele no Brasil. Na sequência vou falar o que descobrimos sobre a Margo e suas intolerâncias com o RAFT e como a dieta restrita melhorou a qualidade de vida dela, vou também explicar como fizemos uma nova introdução para os alimentos que deram alteração no teste.

No site da escolar: www.escolanogier.com.br tem um link para compra do livro do Raphael Nogier. Eu já comprei o meu! Ele foi traduzido do francês para o português pela própria Doutora Larissa.

Processo e resultados da Margo (2)

Foram oito meses de muita roupa manchada, muito cheiro de vômito e uma pilha de roupa suja que eu nunca zerava. Nunca entendi se tinha pouca roupa ou pouco tempo pra poder lavar mais roupa…

Margo já tinha o diagnóstico de traqueomalácea, algo que poderia intensificar os sintomas de refluxo, mas eu, como mãe, e por instinto, sabia que tinha algo a mais, e eu chamava aquele algo a mais de APLV: Alergia à proteína do leite da vaca.

Na minha cabeça o diagnóstico já existia, até porque o Dr. Augusto já tinha me alertado que ela poderia ser alérgica ao leite. Isso quando eu ainda estava na Irlanda, e o Dr. Augusto me ajudava pelo WhatsApp nas minhas crises de desespero.

Naturalmente eu já sou aflita e insegura, depois de me tornar mãe, fiquei totalmente desesperada. Foram muitos vômitos, jatos, engasgos e constipações até eu me acostumar. Dava pra ver o quanto ela queria ser mais feliz e brincar mais confortável, mas eu sabia que tinham coisas impedindo ela de se sentir bem. Porém, na minha cabeça só uma coisa ecoava: APLV. Sim. Pra mim, o único problema era a alergia ao leite. E nada mais.

Se você é mãe deve conhecer a palavra culpa, né? Pois é. Eu sinto culpa, mesmo sabendo que eu não deveria sentir. Uma culpa que bateu depressa e dando umas pancadas, e eu me pergunto "como eu não percebi isso antes?". Digo isso em relação às várias intolerâncias alimentares que Margo apresentou após o primeiro RAFT.

Depois do primeiro teste e das descobertas de alimentos que eu nunca imaginaria que fariam mal à minha filha, começamos uma dieta de restrição à lista de alimentos não tolerados por ela. Somente como exemplo, pois o teste é totalmente individual, ou seja, cada pessoa tem suas possiveis intolerancias, os alimentos que sairam no primeiro RAFT foram: maçã, feijão, mandioca, uva, coco, castanha de caju, nozes, laranja, frango, gema de ovo, batata doce, banana, pêra, leite de vaca, leite de cabra. A dieta de restrição absoluta teve um período de um mês, até a realização de um novo teste, para analisarmos se a Margo já apresentava outro nível de tolerância aos alimentos anteriormente listados como "ruins".

Para ficar mais fácil vou pegar dois exemplos do primeiro teste: a laranja e o frango.

Depois de um mês de dieta, Margo "venceu" a intolerância alimentar da laranja e do frango. Ou seja, poderíamos tentar reintroduzir esses alimentos. Porém, um de cada vez, um por semana. Assim, se alguma reação acontecesse saberíamos qual dos alimentos causou o estrago. Alguns alimentos foram reintroduzidos com sucesso e hoje, já fazem parte da dieta da Margo. Mas alguns outros, não voltaram completamente. As reações não são intensas como antes, já observamos uma melhoria na aceitação desses alimentos, mas com a ajuda da Larissa, compreendemos que esses alimentos talvez não sejam opções para o dia-a-dia, e sim para usar um pouco, de vez em quando, quando eu quiser mudar um pouco a rotina. Talvez uma vez por semana, ou até menos, uma vez a cada quinze dias.

- O que melhorou depois do RAFT?

- Tudo. É sério.

Ela ri, brinca, fala, grita, não sofre pra fazer cocô, e não faz cocô com sangue. Não reclama tanto - reclama as vezes porque é geminiana mas logo em seguida já está rindo. O refluxo praticamente não existe mais. Algo que acontecia no mínimo três vezes por dia, hoje, acontece no máximo três vezes por semana. Essa melhoria não se dá apenas ao resultado da dieta do RAFT, mas também à todo o conjunto de estímulos que Margo recebeu, como por exemplo, a Terapia CranioSacral - outra manipulação aborbada pela Dra. Larissa, mas vou falar sobre isso outro dia!

Esse teste também funciona pra adultos. E pra quem se interessou, procurem a Dra. Larissa da Clínica Pisati e marquem uma consulta!

Rreferências:

1. https://www.facebook.com/thegirlwithcoffinsirissyndrome/posts/1873728612951776:0

2. https://www.facebook.com/thegirlwithcoffinsirissyndrome/posts/1874546129536691

3. Nogier, R. RAFT – Como descobrir clinicamente as alergias e intolerâncias alimentares. Ed. Andreoli. 2015.


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